O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto em alguém, Essas coisas todas — Essas e o que falta nelas eternamente —; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada — Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço, Íssimno, íssimo, íssimo, Cansaç...
Comentários
A dança do vento,
A dança da chuva,
A dança do ventre,
A dança da vida
A dança.
É em perfeito desalinho que as almas se encontram para dançar.
Beijos!
Alcides
dancas-te ao ritmo das ondas
desfalecestes...como espuma no areal....mas continuarás a ter forcas para dancares....
obrigada pelo teu bonito comentario
que colocas-te no meu blog.....
te desejo tudo bom para Ti
um beijo....
Rui
Mas na verdade procuramos sempre um "Pas de Deux", e queremos dançar sempre...assim... juntos...
Mas é aqui que nos perdemos...
Um Beijo
Lita
A trilogia perfeita!...
Beijos...
Dançar num mar de devaneios, também me parece sombrio, mas, à mim, em nada perde para o merecido elogio.
A vida, o destino, desatino, é sempre um caminhar sombrio.
Os dias que fui, são embranquecidos na névoa do passado, os dias que serei, estão envoltos de nuvens vindouras...
Mas, o que sou, é presente e claro, o ontem e o amanhã são lugares em que há sombras a se dissipar... onde ainda não avisto ao certo o que se fora e nem o que será.
Obrigado pela companhia,
Forte abraço!