segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sonho vs Realidade




Avisto-te ao longe....sempre sem conseguir vislumbrar a tua cara.
Estou a correr pelos campos verdes que nos separam, vou a correr para ir ao teu encontro.
Ainda estás lá.
Entretanto tu, tambem reparas em mim...sorris e começamos ambos a correr.
Tu agarras-me eu agarro-te. Abraçamo-nos...,elevas-me...,fazes-me rodopiar em teus braços sempre a beijarmo-nos.
Acabamos por cair em cima das ervas, que ainda estão molhadas do orvalho da manhã, ainda agarrados.
Beijas-me, dizes-me " Nunca te vou largar, nunca, nunca, nunca. "
Eu sorrio e respondo-te " Amo-te ", nada me dizes, apenas beijas-me.
Passado um tempo, estou num sitio diferente, no meio de uma estrada deserta.
A paisagem faz-me lembrar um deserto árido,  não existe nenhum sinal de vida para além de mim e de ti.
Estamos molhados não sei porquê, pareçe que tinhamos passado por chuva.
Olho para ti, estás a uns  metros de mim e grito o teu nome.
O meu tom de voz arrepia-me, penso... para onde terá ido o tom de voz meigo que eu tinha  no campo....
Grito novamente o teu nome quando tu te tentas aproximar de mim eu acrescento " Sai da minha vida, sai. Estou farta, estou farta de ti. Farta da tua cara, farta da tua voz, farta do teu corpo, farta do teu toque, farta dos teus abraços, farta dos teus beijos! "
Aparecem lágrimas na minha cara e tento manter o equilibrio para não cair no chão.
Começo novamente a gritar " Tu não consegues nem imaginar o que sinto, estou tão cansada..." - a raiva inunda-se na minha voz - " Por favor, não me sigas que eu não aguento mais... "
Agora já vejo teu rosto familiar.
Agora sei quem és.
O sentir não é jamais o mesmo.A presença que sentia era diferente.Não eras tu.
  Pareceu-me uma verdade, estavas com um tom de voz triste, deste um passo e comecas-te a correr na minha direcção, quando me ias abraçar agarrei-te os pulsos, olhei-te nos olhos e com toda a coragem,cheia de valentia disse-te " Não te quero mais ", é então que percebo que não é uma mentira, estou mesmo certa do que quero dizer, largo-te os pulsos e deixo-te cair de joelhos no chão.
Começo a andar, virando-te as costas e vês-me desaparecer.
Fico sozinha, fico novamente sozinha,caminhando naquela estrada no meio do nada.Á minha frente,lá longe avisto um tom verde,á medida que caminho vejo que é um campo...corro começo a correr...sinto que ainda te vou reencontrar novamente.A ti....a quem não consigo ver o rosto,mas sinto tua presença....

Acordo....
Suada e cansada....Abro os olhos e constato que estás a meu lado....E eu...como sempre nunca chego, a chegar a lugar algum....
Fecho os olhos,respiro fundo e sinto apenas a  presença dentro de mim mesma....

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entardeceu


 



Às vezes quando o dia entardece, fica dificíl esquecer do vazio. Quero dizer que, nós não paramos de viver por causa dele. Nós ainda saimos, rimos, conversamos. As vezes, fazemos coisas ate demais, pra nos distrairmo-nos porque o vazio está lá.... E tem sempre aquele momento em que baixamos a guarda, e o vazio bate-nos á porta....pesa-nos....
E muitas são as vezes que desejamos desaparecer e reaparecer na nossa cama, longe de tudo e de todos. Mas isso nem sempre acontece, muitas vezes o vazio fica lá, dormindo, por um tempo e nós  achamos que ele desapareceu. Achamos que finalmente estamos felizes com o que temos. E tudo parece bem...e está bem...
Mas o vazio volta!
Sutilmente...ou não!
Pode ser uma fisgada no estômago, uma lágrima no canto do olho, um nó na garganta, um pesar de pálpebras... ou uma avalanche destruidora de emoções. E o vazio....novamente está  lá, novamente a gente lembra e recorda o que é conviver com ele....
Diariamente. Constantemente.
Existe uma falta de sentido nos nossos desejos...
Existe uma falta.... E só....

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Anjo de Luz


Não vejo o teu rosto….mas sinto que estás aqui,

Passo a mão na silhueta desenhada pela sombra do luar…
Vislumbro o cruzar do olhar… Como é importante o olhar…
Há um anjo que me embala e me abraça nos dias gelados de luz…
Existe em mim tanta descrença e tamanha confiança…

E nesse dual sentimento
Que parece incoerência
Eu me sinto uma criança
Inocente e alerta
A este sinal que me desperta
A querer chegar mais perto
Dessa luz que ensaia se mostrar.
Abro os olhos um pouco mais
Tentando definir o que vejo,
Porém é um desejo vão

Pois findando a madrugada,
Finda-se minha quase visão.
Mas eu sei que isso não é sonho
Durante o dia me recomponho
E com ansiedade espero a noite
Para outra vez na sombra da lua
Tentar encostar minha mão na tua...
Ver teu rosto que ainda não vi.
Anjo de luz que me embala
E eu sinto e sei que está aqui.

Hoje mais uma linda parceria com meu amigo Alcides e suas Palavras Mágicas no fabuloso Abismo Noturno

Obrigada meu amigo, pela amizade que temos e pela partilha de palavras mágicas. Que continuemos por muito mais tempo fazendo o mesmo e muito mais.






terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Historia XI



Fim de Festas.
Novo Ano.
Todos os anos por esta altura Catarina sente sempre uma necessidade de respirar fundo deixar entrar um sopro divino  e....fazer um balanço...
A casa esvazia-se....arrumasse os restos das festas,organiza-se tudo novamente e por fim fica a sós consigo mesma.
Abre a porta e saí com destino ja marcado.
Todos os anos faz o mesmo ritual consigo mesma.Na solidão da serra e no som do silêncio que por lá se escuta.
Passa para lá das arvores altas e inclinadas que a convidam a entrar na pequena clareira,onde chega a um pequeno lago.Apanha uma pequena pedra e atira-a á agua.Caminha até a borda,descalça-se e deixa que a agua a  molhe até aos  tornozelos."Está fria...faz-me arrepiar...Ao mesmo tempo a frescura ao banhar-lhe, os pés cansados da jornada que têm vindo a atravessar, á tanto tempo,alivia-a das dores da alma...
Sente-se bem disposta. Com um pé atira agua para cima de uma rã que está do outro lado,e dá uma gargalhada ao ouvi-la coaxar e saltar para o pequeno lago.
Respira fundo... o ar fresco da manhã, o cheiro da terrae do arvoredo.Deixa que todo aquele ar purifique-a por dentro..."Gosto daqui...deste ar...desta maneira de ver o mundo...Gosto daqui...de onde ninguêm me consegue encontrar...o meu esconderijo."
Este ano foi diferente para Catarina....não foi especial...nem pleno em acontecimentos...ouve tristeza e alegria como em todos os outros.
Este ano que passou,ela propia conheceu uma Mulher dentro dela, que ela não conhecia e que se reflecte no seu espelho ,vive na sua casa,come na mesma mesa e dorme na sua cama...
Por vezes olha-a com desconfiança... sente que ainda a está a conhecer,a habituar-se á sua presença.
Com ela aprendeu coisas boas e outras nem por isso.
Com ela aprendeu a chorar menos,quando está só.
A compreender melhor os seus defeitos e aceita-los.
Aprendeu a valorizar muito mais as suas qualidades.
Apesar de não gostar muito,aceitou, aceitar as derrotas com a cabeça erguida porêm nunca esquecer de olhar o horizonte com optimismo sempre....mas sempre!
Porêm houve algo que essa Mulher ainda não conseguiu dominar ou domar em Catarina,a sua rebeldia.O seu instinto selvagem e rebelde.Catarina jamais deixará essas qualidades/defeitos desaparecerem de dentro de si,essa é a forma mais pura de o ser.
Em contrapartida já aprendeu que nada muda se não quiser,que não vale a pena fazer planos para a vida para não estragar os planos que a vida têm para ela.
Ganhou consciencia que o Amor é dôr...então de que vale a pena Amar...
Por vezes tem uma enorme vontade de gritar e esbofetear aquela Mulher que veio se acomodar na sua vida.E que mesmo com toda a sua rebeldia não a consegue mover dali para fora.Por vezes têm vontade de a fazer desaparecer....
Sabe que não há vencedores ou vencidos....que cada um faz o que têm a fazer,escolhe o seu caminho e nunca com o intuito de magoar ninguêm.
Gelou.
Abandona a clareira e despedesse da natureza para voltar á realidade do seu dia a dia no novo ano que não sabe ainda,nem quer sabe,r aquilo que lhe trará.
Em sua cabeça apenas e só uma certeza;"Everyday is a gift,that´s why they call it,The Present!"



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Amâgo





A demência,quando ataca,tem um modo particular de revelar o âmago da pessoa afectada.
Um corpo débil e desorientado,reflecte com dor uma ausênsia perdida.
Deitada numa cama habitada,vagueia por outro alguêm.
Amando um momento e um lugar,suplica o retorno de um ser,que nela se funde e parte para outro lugar....
Quem sabe...um dia na sua valentia,corta com a agonia.