quinta-feira, 23 de maio de 2013

Asas para sonhar

 
 
 
 


Em certas noites costumam nascer-me asas no dorso, como aquelas que os anjos usam....



Elas fazem-me voar pelos universos dos sonhos, descobrir portas de acesso aos meus mundos mais escondidos, onde os sentimentos da minha alma são segredos que costumo guardar para mim.



Mas no rodopio das noites sou pescadora que, com uma rede feita de estrelas, pesco-te nos meus sonhos. Adornando-os de fantasias e emoções, envolvendo-te numa névoa magica.



Não sei onde me perdi.... quando me perdi.... se no calor dum inferno qualquer.... ou tão simplesmente no meio duma noite escura, onde nem as estrelas já brilham e não existem caminhos, portas ou destinos que me façam sair deste abismo.

Hoje não sou mais aquela que te vela o sono, sou apenas uma sonhadora, que em vez de asas no dorso, lhe nasceram espinhos, um animal de garras afiadas que por ironia do destino foi aprendendo a saber alimentar-se num mundo diferente daquele que sonhara, mas é esse que lhe pertence .



Espero infinitamente no meio da noite, por entre as inúmeras estrelas, nesse aperto de saudade que parece fazer da eternidade apenas um pequeno espaço de tempo.

Mas é quando o mundo real me desperta, dissipando a magica névoa que nos envolve...que perco as asas e deixo-me levar pela leve brisa da manhã, em direção ao Sol que acaba de nascer....esperando por outra noite.
 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Castelos no Ar


                                                    Castelos no Ar – Receita Caseira




Uma pitada de sonhos;
500 gramas de vontade;
Duas colheres de sentir;
Por cada litro de saudade.

Três pacotes de emoção;
Dois decilitros de ternura;
Quilo e meio de ilusão;
A levar, docemente, à fervura.

Desejar, em lume brando;
Mexendo leve, lentamente;
Adicionar-lhe muito encanto;
A temperar, apaixonadamente.

Servir em prato de abundância;
Talher delicado em mesa de sonhar;
Consumir, com evidente preferência,
Antes [bem antes] deste Amor se evaporar.


Castelos no Ar – Receita Caseira
Autor(a) Rodrigo Belavista