segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Chove. Há Silêncio






Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

6 comentários:

A.S. disse...

Moonlight...

Acorda para a vida! Ainda que chova, ainda que seja imensa a tempestade, ainda que os dias sejam noite!!!
Há-de vir o SOL...


Beijos
AL

A Palavra Mágica disse...

Moonlight,

Mesmo que chova canivetes, quando a alma não é pequena, Ela há de encontrar o Sol!

Um beijo!
Alcides

Nilson Barcelli disse...

Quando a alma é viúva do que não sabe, o sentimento é cego.
Excelente escolha, querida amiga.
Desejo-te um bom Ano Novo.
Beijos.

Jacarée disse...

Chove!
A chuva, da vida
ou de opiniões?
Gota a gota...
Cantam os pingos
chovesse mais...
Mais que chuva,
Mais que o frio...
Mas que a própria dor...

Bjs

Jacarée

Angel disse...

Tem alturas assim em que tudo é chuva...mas depois da tempestade vem sempre o sol...uma semana cheia de Sonhos..

Dois Rios disse...

Querida Moonlight,

Fernando Pessoa definia-se como "dramático". Diante dos heterônimos e de uma de suas afirmações em que diz: "Eu sou a sensação minha. Portanto, nem da minha própria existência estou certo", diria que ele não era nem dramático e nem sofredor. Era um poeta. E que poeta, meu Deus!

Adorei o vídeo. Fechei os olhos e só me faltou sentir os pingos da chuva.

Um Feliz 2010, minha querida!

Beijos ternos,
Inês