Durante muitos anos trabalhei com o meu pai numa loja de comercio tradicional,que se situava numa praça de Lisboa.Aquelas lojinhas que preenchem o espaço á volta da praça.
Convivi sempre com muita gente,estou habituada e gosto de estar rodeada de gente,conversar,rir,trocar ideias, enfim um monte coisas.
Conheci muita gente de diferentes idades.Convivi sempre com pessoas de mais idade,da idade do meu pai,visto ele ter aquela loja por mais de cinquenta anos.A população habitacional em redor da mesma, sempre fora uma população idosa.A maior parte das pessoas já partiram.Mas fiz muitas amizades, no dia a dia.
Havia sempre o senhor Augusto,que trabalhava numa loja de confecção ali perto, que vinha da Trafaria e todas as manhãs fumava o seu ultimo cigarrito antes de entrar ao serviço,na porta da minha loja(na altura ainda era premitido fumar nas supreficies),todos os dias.Era um senhor já com os seus sessenta e muitos anos quando o conheci e ainda privou comigo durante uns anitos,antes de vir a falecer,vitima de Alzeimer.
Era um senhor bastante divertido e alegre.Sempre muito bem disposto com a vida, menos com os patrões como ele gostava de provocar(na brincadeira)o meu pai.
Hoje lembrei-me dele,porque ele tinha uma frase que sempre dizia e provocava em nós dois risos multiplos,porque ambos sabiamos do que se tratava.
Ele sempre dizia
"...hoje é um dia bom para morrer...."normalmente dizia-o quando alguma senhora entrava na loja.Ele com o ar da sua graça então dizia;
"Bom...vou andado...afinal hoje é um dia bom para morrer..."ao que logo a senhora em questão respondia;
"""...Credo!Não existem dias bons para a morte..."
Ao que o senhor Augusto respondi com um enorme sorriso no rosto;
"....para morrer a rir!"E´lá nos riamos nós.
Existem momentos e vivências que por muitos anos que passem ficam sempre retidos na nossa memoria.
O senhor Augusto veio a ficar debilitado e deixou de trabalhar.Eu sempre sabia dele atravéz de telefonemas e algumas visitas que lhe fazia se vez em quando na sua casa,na Trafaria.Tinha uma esposa muito bonita e simpatica,ao que ele retribuia dizendo,que sempre fora um homem com muito bom gosto.
A ultima vez que o vi com vida,já ele estava internado no hospital Gracia da Horta e mesmo no fim dos seus dias e com a doença em estado avançado ele nunca perdeu a sua forma divertida de ser.
Fui visita-lo com o meu pai e nessa visita ele já não se lembrava de mim.Ao meu pai disse-lhe; "...Jaquim....,Jaquim....sempre o mesmo maluco.Não vês que a moça é novinha demais para ti!!!"
E rimo-nos todos ao mesmo tempo e assim me despedi do meu querido amigo Augusto,que para sempre recordarei com alegria.
Isto tudo para vos dizer....
que hoje é um dia bom para morrer....
....morrer a rir!!!!
Já vi muitos apanhados,mas como este! O maximo dos maximos, depois digam lá se eu não tenho razão...!:))
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