Acordei...Sentei-me na cama.
Devagar...sossegadamente sem fazer barulho.
E foi então que me deixei ficar a apreciar Catarina. Abriu a janela sem medo de fazer qualquer ruido,pois sabe que não pode ser escutada a não ser por mim mesma...saindo para a varanda na madrugada suave e pacífica que se saboreava com paz de espirito...
Como é bom escutar o barulho do mar e sentir a sua maresia entrar por nós, adentro.
Dizem que de noite o mar dorme e se torna silencioso...é mentira ele está lá balançando e rebentando suas ondas na areia da praia,que dia dia se enche de pessoas.
Agora neste momento é apenas de Catarina.
Lá está ela sentada no seu cadeirão de verga fumando o seu cigarro e assistindo a mais um amanhecer...mas daqui deste 10º andar com vista sobre o mar é mais belo e fantástico.Têm de certo uma beleza própia e admiravél.
Gosto sempre de poder admirar Catarina no seu refugio, na madrugada, enquanto todos dormem...
Em Catarina existe muito de mim,mas muito mais daquilo que fui um dia...
Catarina é mais determinada e poderosa,é mais bela quando ninguêm olha para ela,têm na sua mente o poder de se lançar para o desconhecido e apostar.
Eu já desisti do jogo á tanto tempo, que nem sei...nem ao certo qual foi o momento que deixei de apostar e tornei-me perdedora.
Por vezes quando fico apenas observando Catarina,consigo olhar para trás,mas não consigo apontar ao certo o momento em que minha vida mudou e seguiu outro rumo.
Apenas sei que aconteceu num instante,num milésimo de segundo.
Cheira a mar salgado e a maré baixa.
Catarina perde-se como o fumo do seu cigarro...na linha do horizonte,em seus pensamentos mais profundos.
Será que tambem ela já desistiu...?
De repente uma gaivota passa em voo á frente do seu rosto,erguendo-se nos ares,pairando sobre ela.
Assustando-a!
As suas asas são enormes e Catarina estende o braço parecendo que lhe vai tocar,o vento que provoca sente-se no rosto.Paira no ar bem perto de Catarina por uns instantes e nesse instante estão unidas no tempo e no espaço.Existe um momento de compreençao entre elas...mas, então, antes de conseguir defenir esse momento,ele acaba.
A gaivota eleva-se e desaparece com ele.
Catarina fica especada,estupidamente e finalmente capaz de respirar,mas incapaz de se sentar novamente...como se tivesse acordado de um sonho.
Assustada...
Levanto-me e inclino-me no varandim...olho o meu mar já iluminado pelos raios fracos do meu Sol e contemplo tudo como se não tivesse visto ainda nada.
Como se da primeira vez se tratasse desde que aqui estou,conhecendo-o de alguma forma.
E sei tão bem quanto Catarina que temos ambas de voltar á realidade.
Simplesmente,não passou de um momento.
Catarina...
Não desista de mim....