terça-feira, 22 de setembro de 2009

Serenamente acolho este Outono


Sufoca-me a vontade de gritar ao mundo que estou viva e ainda presente neste meu papel.Neste papel que represento sem saber as próximas falas...

Não sou folha amarelada caída da árvore....

Não sou mar sem ondas....

Não sou céu sem lua e sol...

Por vezes pode ser para ti difícil de me entenderes...mas nunca o tentes...por aí te vais perder em labirintos que não te levarão a lado nenhum....

Quando deres por ti...eu já passei para uma nova estação...

Caminho suavemente neste jardim, onde hoje o Outono nasce...onde me encontro com o meu eu...e desdenho meus pensamentos secretos...

Adormeci de mim á tanto tempo....

Não me acordes!!!

Quero assim ficar!Vivo melhor assim,na fraqueza interior de um dia atrás de outro,sem nada a temer, sem nada a esperar.

Serenamente....vivendo....

Serenamente alimentando o meu eu com aquilo que apenas lhe posso dar.

E sou feliz assim.Acredita que sim.

Apenas hoje...caminho por aqui melancolicamente...para dar entrada a outra estaçaõ e poder continuar a caminhar....comigo propia.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Para ti....


...Quantas estrelas têm o céu?

...Quantos raios têm o sol?

...Quantas nuvens correm ao sabor do vento?...

Eu não tenho resposta para ti.
Porque existem perguntas que das quais nunca saberemos as respostas...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Hora



A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O meu tempo...



"O tempo perguntou ao tempo,quanto tempo o tempo têm,o tempo respondeu ao tempo,que o tempo têm tanto tempo,quanto tempo o tempo têm..."



Estou quase a chegar!
No meu tempo...chego daqui a um nada.

No teu tempo...que tão diferente do meu,se torna...
Poderá ser um tempo Infinito,complicado de decifrares...
Um dia destes,abraçar-te-ei...num tempo qualquer...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Patrick Swayse


Um adeus...
Um enorme actor que partiu... o cancro venceu um dos maoires sexsimblo dos anos 80.
Para muitos poderá ser um fim...para mim um novo recomeçar.
Até sempre Patrick Swayse


Para recodar e lembrar que tambem foi um grande bailarino...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O medo longe de ti


"Catarina, se eu pudesse dar-te apenas mais um presente, seria não deixar que o medo te impedisse de seres feliz.
Sim, o medo. Quero falar-te do teu pai, do jovem escritor que conheci quando tinha a tua idade. O jovem escritor, como lhe chamava a professora de Alemão que organizou este pequeno livro de histórias, o jovem escritor que habitava um mundo de bruma e de sol, de florestas cerradas e de vastas planícies.
Na verdade, ele ainda o habita, como se percebe por aquilo que escreve. Várias vezes, ao longo destes anos, me perguntei se o teu pai foi mesmo o grande amor da minha vida. Tenta compreender-me: aquilo que nos ensinam desde criança, a verdade de um grande amor, maior do que tudo, o verdadeiro amor, capaz de tudo vencer.
Eu não sei, e possivelmente nunca o soube. Ou nunca acreditei nesse heroísmo do amor.
O amor verdadeiro?
Tantas vezes me perguntei se não seriam verdadeiros todos os amores.... O teu pai abria-me os portões altos e dourados do seu mundo de bruma e de sol, de florestas cerradas e de vastas planícies. E levava-me pela mão entre seres por vezes tão estranhos e tão assustadores, muitos deles com marcas indeléveis de obsessão... Eu amava o jovem escritor, o teu pai.
Hoje tenho a certeza disso.
Há certezas, assim como esta, que podem demorar anos até serem encontradas.
Quase duas dezenas de anos, se calhar. Mas o teu pai não esperou por mim na estação dos comboios como tinha prometido.
Não estava à minha espera quando regressei de uma viagem ao Norte da Alemanha, da primeira visita à tua avó desde que estava a estudar na Floresta Negra.
Apenas um fim-de-semana fora, e o jovem escritor fugiu....
Será que me entendes?
Compreender-me-ás e perdoar-me-ás se eu te disser que depois de o teu pai abandonar o programa onde estudávamos os dois eu acabei por não o querer procurar?
Que escolhi sair daquele mundo fantástico para to poder oferecer verdadeiramente agora, tão fascinante como quando o conheci, o jovem escritor, no interior intocado do seu mundo dos portões dourados?
Porque tu, tenho a certeza, saberás entrar nesse mundo e reconhecer cada um dos seres que o habitavam.
Talvez até tratá-los pelo nome. Tu saberás como pisar esse chão. Sem medo. "

António Manuel Venda, in O Medo Longe De Ti

História IV


(...)
Correu por aquele corredor enorme.Como se não fosse chegar a tempo de se despedir...
Ao fundo soou o apito do comboio.........
Já não chegaria a tempo pensou...e enquanto acelerava o passo,sentiu o coração bater com mais força,como se fosse sair pela boca,e sentiu que suas pernas desfaleciam...Teve que parar. Sentia-se tonta e cansada...
De repente tudo rodopiou á sua volta e deixou-se cair no chão...
Pessoas que passavam naquele preciso momento correram em seu auxilio.
Quando acordou sentiu-se,como se estivesse estado longe por um tempo indeterminado.Sentiu o corpo molhado do seu suor e toda aquela gente á sua volta,tornava o ar pesado...
«Afastem-se,um pouco!»-dissera alguém.Ao assistir aquele acordar meio em pânico.
«Estou bem........disse com voz tremula...»
De repente lembrou-se onde estava e porque motivo.
« O comboio já partiu?!!!»
«Mas qual comboio menina?»
«Já saíram tantos desde que desmaiou...»



Levou á cara um lenço molhado, que alguém simpaticamente lhe oferecera e pensou que inexplicavélmente, já não chegara a tempo se despedir...
E agora?
Nada sabia dele,apenas o conhecera naquela terra que não era a deles...
Alguns dias passaram na companhia um do outro,sem explicações,sem perguntas,sem saberem,nem cobrarem nada um do outro...e no dia anterior á sua partida,prometeram que se encontrariam para trocar números de telefone,direcções e promessas de uma vida recheada de magias ainda por descobrir...
Não chegou a tempo....
Mas...não teve vontade de chorar...
Nem de se lamentar...
Nem sequer de sentir raiva...se assim acontecera era porque assim tinha de ser...
Afinal ela estava naquele sitio,simplesmente porque tinha prometido a si mesma,aprender a conviver de bem com o que a vida tinha para lhe oferecer...e esta era a prova final de que realmente tinha conseguido e agora estava de bem com ela propia...e principalmente...com a Vida!!!
(...)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Onde param as memórias....


Foste guerreira,em algumas batalhas que nem eram tuas...
Foste lutadora ,numa arena que não te mostraram e te obrigaram a lutar...
Foste forte,dura,avassaladora...
Foste....foste.....fostes...
E agora?
Onde andas tu?
Recordas-te daquilo que foste...?
Que vais fazer agora?

Quando tudo o que temos premanece apenas dentro do nosso cerebro,na nossa memoria...
Quando nada ficou gravado numa cassete,numa fotografia...
Quando tudo se esvai...como fazemos depois para voltar aquela realidade perdida...?
Quantas coisas tinhas guardadas,de que tanto gostavas de recordar naquelas noites em que o silencio invadia o teu ser....

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sou


"Por vezes,somente quando saímos de cena é que sabemos que papel representámos..."

Stanislaw Jerzy Lec


No teu regresso...a medo e cheio de insegurança...entendo que nem eu nem tu sabemos aquilo que devemos dizer...
Meu coração dispara a cada palavra tua...
O teu nunca o saberei...mas acredito que lhe aconteça o mesmo.
Mas...e tudo,tudo,tudo aquilo que dizemos...onde nos leva ?
Sou silenciosamente...tua.
Sou assim...afundada nos meus silêncios,nas minhas ausências e nos meus sonhos....

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Frustração...


«Quando te conheci,lias um romance de Anais Nin,na varanda da tua casa.Era Setembro e usavas fitas no cabelo.Deixaste-te ficar absorvida,sabendo que eu não tirava os olhos de ti,mas esqueceste-te de virar a pagina do livro....
Não me digas que, então não te amava...
Quem entende destas coisas não confunde Amor com Paixão.
As nossas primeiras conversas,foram sobre como seria mais tarde,connosco e não era nunca de uma casa que eu falava,mas de um lugar com muito chão,algumas almofadas e discos fora das capas.
Tu ouvias-me,com atenção.
Também expliquei,muitas vezes,a difícil teoria do desejo permanente e a relação disso com a intimidade ocasional.
Sabes...que reparava nos sapatos que levavas,quando ias a minha casa aos sábados á tarde...?
Já não usas fitas nos cabelos.
Agora já és apenas aquela que está sempre em casa quando chego...vivemos juntos.Enquanto eu faço a barba,tu lavas os dentes.
O cheiro da minha colónia mistura-se com o da tua.
Bem vejo a tua irritação,quando me enfronho nos meus livros,depois do jantar.E tu ficas á espera que eu invente uma saída,como fazíamos dantes.
Iamos a Óbidos,só para tirar fotografias!
Que aconteceu á tua cara?
Não te pedi que te tornasses a "dona" desta casa,e não esperes que eu te agradeça todo o trabalho.
O trabalho que tens para a manteres limpa e confortavél.
Cada botão que pregas na minha camisa,aproxima-te cada vez mais,da minha mãe...
O que é que perdes-te pouco a pouco,á medida que te fui conhecendo...?»

Este texto que aqui hoje vos apresento,não é de minha autoria,mas muito sinceramente não sei de quem é pois já há muito tempo que o escrevi e não sei de onde o tirei.
Mas é um texto que sempre me ficou no pensamento e acho que é bom de ser reflectido em todas as prespectivas...
O titulo que lhe dei,cada um de vós pode sentir como achar melhor...se a frustração pertence ao homem ou á mulher a quem é dirigido,eu tenho a minha propia opinião...
Espero que gostem!

Insónia

Todo este tempo, todo o tempo que deixo de estar aqui, encontro-me lá fora, no mundo, a procurar o que outros procuram, a fazer o ...